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quinta-feira, 17 de julho de 2014

FirstUnion lança o primeiro cigarro eletrônico descartável de longa duração do mundo

SHENZHEN, China, 14 de julho de 2014 /PRNewswire/ -- Cigarros eletrônicos descartáveis, que parecem, dão a sensação e o tem gosto de cigarros convencionais, tornaram-se a primeira opção dos usuários de cigarros eletrônicos de baixo custo. Eles estão bastante populares pela facilidade de operação, alta eficiência e vapor espesso. A fim de proporcionar uma experiência de fumo melhorada, na maioria dos cigarros eletrônicos é usada uma célula de íon de lítio de 3,7 V; o resultado é mais alto poder de consumo e menor prazo de validade da bateria.
FONTE: FirstUnion Group

Cigarro eletrônico será a salvação dos fumantes?

Menos nocivo que o cigarro convencional, mas também polêmico, o cigarro eletrônico se dissemina nos Estados Unidos e na Europa. Os fabricantes já oferecem milhares de sabores

Julia Boyle, da loja Vapor Shark, em Miami, Flórida, fuma um cigarro eletrônico
São Paulo -- A compra da Lorillard pela Reynolds, anunciada nesta semana, une duas das maiores fabricantes de cigarros dos Estados Unidos. A aquisição chamou atenção para o produto que alguns veem como a salvação da decadente indústria do fumo, o cigarro eletrônico.

Menos nocivo que o cigarro convencional, esse substitutotecnológico do cigarro vem se disseminando com rapidez nos Estados Unidos. Lojas especializadas já oferecem centenas de sabores diferentes.
Fabricantes como Lorillard e Reynolds, que vêm investindo massivamente nesse tipo de produto, lançam 250 novos sabores todos os meses, como aponta o New York Times. Há sabores como banana, chocolate, gengibre e até melancia. 
O cigarro eletrônico começou a ser produzido na China uma década atrás e apareceu no mercado americano e europeu em 2007. Desde então, a disseminação desses  vaporizadores pessoais (como também são chamados) foi rápida.
Só na Grã-Bretanha, o número de usuários triplicou nos últimos dois anos, de 700 mil para 2,1 milhões de pessoas, calcula a organização britânica Action on Smoking and Health. Uma estimativa divulgada pela CNBC indica que, nos Estados Unidos, esse mercado movimentou 1,7 bilhão de dólares em 2013. 
No Brasil, é proibido
No Brasil, a venda de cigarros eletrônicos foi proibida pela Anvisa em 2009. A agência alega que, além da nicotina, esses artefatos emitem substâncias que também poderiam ser nocivas à saúde (nitrosamina e dietilenoglicol). 
Mesmo assim, podem-se encontrar alguns modelos à venda em sites como o Mercado Livre e em algumas lojas online. Um kit com carregador, cigarro eletrônico e cartuchos de líquido vaporizável custa de 70 a 300 reais. 
Como funciona
A primeira geração de cigarros eletrônicos procurava imitar um cigarro convencional ou, em alguns raros casos, um cachimbo. Alguns ainda são assim e têm até um LED na ponta que simula a chama. Há também carregadores de bateria em forma de maço de cigarro.
Mas modelos mais recentes têm forma de tubo metálico, sem tanta semelhança visual com um cigarro. 
O componente central desse artefato é o vaporizador. Nele, há uma resistência elétrica alimentada a bateria. Ela se aquece e transforma em vapor um líquido armazenado num cartucho substituível. É esse vapor que é aspirado pelo fumante.
O líquido contém nicotina, aromatizantes e propilenoglicol, um composto orgânico que funciona como solvente. Mas não contém as milhares de substâncias tóxicas presentes na fumaça do tabaco.
Por isso, embora não haja estudos extensos sobre isso, os cigarros eletrônicos são considerados menos nocivos à saúde que os convencionais. 
Deixar de fumar
Como a nicotina presente no vapor satisfaz o desejo de fumar, esse artefato pode ser um caminho para quem quer abandonar o vício. Um estudo feito pela Universidade de Londres mostrou que ele é mais eficaz, para isso, do que os adesivos e chicletes de nicotina, como noticiou a BBC.
A pesquisa analisou dados de 6 mil fumantes no Reino Unido. Metade deles haviam experimentado o cigarro eletrônico, o que comprova a popularidade desse artefato. 
Entre os que experimentaram, um quinto conseguiu parar de fumar graças à engenhoca. O índice de sucesso é 60% maior que o de outros métodos para parar de fumar.
Líquido vaporizável para cigarro eletrônico à venda na loja Vapor Shark, em Miami
Riscos à saúde
A Food and Drug Administration (FDA), órgão americano equivalente à Anvisa, não proíbe e nem fiscaliza a venda de cigarros eletrônicos. Mas a agência observa que há problemas de qualidade nesses produtos que podem acarretar danos à saúde dos consumidores.
Num teste feito com uma amostra limitada de cigarros eletrônicos, a FDA encontrou cartuchos com nível de nicotina diferente do anunciado. Alguns, descritos como sem nicotina, na verdade continham essa substância.
Isso é preocupante porque uma dose muito elevada de nicotina pode ser mortal. Além disso, a FDA encontrou substâncias cancerígenas em amostras analisadas, ainda que em quantidade muito menor que a observada em cigarros convencionais.
Em abril, a FDA publicou uma proposta de nova regulamentação dos cigarros eletrônicos, com controle da qualidade pela agência.

Fonte: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/cigarro-eletronico-vira-mania-nos-eua-e-na-europa

domingo, 6 de julho de 2014

Estudo dá a cigarros eletrônicos vantagem como método para parar de fumar

fonte: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/the-new-york-times/2014/05/21/estudo-da-aos-cigarros-eletronicos-vantagem-na-ajuda-a-parar-de-fumar.htm

Sabrina Tavernise

Um grande estudo na Inglaterra apontou que os fumantes que tentam abandonar o vício têm maiores chances de sucesso se usarem cigarros eletrônicos em vez de outras terapias disponíveis no mercado, como adesivos ou gomas de mascar de nicotina. Esses resultados são encorajadores, mas não uma evidência definitiva no debate contencioso sobre os riscos e benefícios desses aparelhos de fumo cada vez mais populares.
26.ago.2013 - Homem fuma um cigarro eletrônico em Paris. A organização de direitos do consumidor francesa '60 milhões de Consumidores' (60 millions de consommateurs) declarou na época que os cigarros eletrônicos 'não eram tão inofensivos'
26.ago.2013 - Homem fuma um cigarro eletrônico em Paris. A organização de direitos do consumidor francesa '60 milhões de Consumidores' (60 millions de consommateurs) declarou na época que os cigarros eletrônicos 'não eram tão inofensivos'
Os pesquisadores entrevistaram quase 6.000 fumantes que tentaram parar de fumar por conta própria, sem orientação de um profissional de saúde. Cerca de um quinto dos que disseram usar cigarros eletrônicos tinham parado de fumar durante a pesquisa, em comparação a cerca de um décimo dos que usavam adesivos e gomas de mascar.
"Isso não resolve a questão do cigarro eletrônico", disse Thomas J. Glynn, um pesquisador da Sociedade Americana do Câncer, que não fez parte do estudo, "mas é uma evidência adicional de que, em um contexto de mundo real, os cigarros eletrônicos podem ser uma ferramenta útil, apesar de não revolucionária, para ajudar fumantes a parar".
O uso de cigarros eletrônicos cresceu rapidamente por toda a Europa e Estados Unidos, e os reguladores estão tentando imaginar como responder na ausência de evidências concretas sobre seus efeitos. O debate é particularmente feroz nos Estados Unidos, onde alguns especialistas dizem que os aparelhos podem atrair crianças a começarem a fumar, enquanto outros argumentam que eles são a melhor esperança em gerações de fazer os fumantes adotarem algo menos perigoso do que os cigarros tradicionais.
Cerca de 42 milhões de americanos fumam -- e cerca de 480 mil pessoas morrem a cada ano de doenças ligadas ao fumo, a principal causa de morte evitável nos Estados Unidos. A questão central é se os cigarros eletrônicos farão as fileiras de fumantes encolherem ou incharem.
Até o momento, há pouca evidência para fornecer uma resposta convincente.
A FDA, a agência federal americana que regula e fiscaliza alimentos e medicamentos, encomendou um amplo estudo, mas seus resultados ainda levarão anos para serem conhecidos. Um teste clínico na Nova Zelândia, que muitos pesquisadores consideram como o estudo mais confiável até o momento, apontou que as pessoas que receberam cigarros eletrônicos apresentaram uma taxa apenas ligeiramente melhor de largarem o fumo do que aquelas com adesivos. Apesar dos efeitos a longo prazo dos cigarros eletrônicos serem desconhecidos, muitos especialistas em saúde acreditam que as concentrações de toxinas no vapor são muito menores que as presentes na fumaça do cigarro.
Falta teste clínico
O estudo inglês não foi um teste clínico, o padrão ouro da pesquisa científica, no qual os participantes são distribuídos aleatoriamente em grupos diferentes; por exemplo, um que usou os cigarros eletrônicos para parar e outro que usou terapias de reposição de nicotina. Mas os autores do estudo disseram que controlaram muitos fatores – incluindo classe social, idade, nível de dependência de nicotina e o tempo desde que a tentativa de largar começou. Eles também disseram que o estudo, um dos maiores até o momento, oferece entendimentos valiosos da experiência dos fumantes no mundo real.
Robert West, diretor de estudos de tabaco da University College London e autor sênior do estudo, que será publicado na quarta-feira (21) na revista "Addiction", disse que testes clínicos não podem responder a dúvida que a maioria das pessoas tem sobre se os cigarros eletrônicos ajudam as pessoas a largar o fumo, porque os aparelhos mudam tão rapidamente que se tornam obsoletos antes do término do experimento. Além disso, ele afirmou que as pessoas que queriam cigarros eletrônicos (e se viram colocadas em um grupo que usava só o adesivo) simplesmente o abandonavam.
"O modelo médico é ótimo para medicamentos para câncer, mas não funciona nesta situação, porque não há nada que impeça os participantes no grupo dos adesivos de simplesmente saírem e comprar um cigarro eletrônico", disse West.
Ele disse que o banco de dados usado no estudo foi financiado pela Cancer Research UK, um grupo sem fins lucrativos; pelo Ministério de Saúde da Inglaterra; e várias grandes empresas farmacêuticas que produzem terapias de reposição de nicotina, incluindo a Pfizer, GlaxoSmithKline e Johnson & Johnson.
West, um otimista em relação ao cigarro eletrônico, disse que evidência epidemiológica sólida ainda levará várias décadas para estar disponível, enquanto a necessidade de decidir políticas é já.
Ele calculou que mais de 5.000 vidas poderiam ser salvas entre cada milhão de fumantes que passassem a usar cigarros eletrônicos, mesmo que os dispositivos apresentem riscos à saúde significativos e as pessoas os usassem indefinidamente após abandonarem os cigarros reais.
"Potencialmente, milhões de vidas estão em risco e nosso trabalho é ajudar os autores de políticas a proteger essas vidas", disse em um editorial que acompanhou o estudo.
A prática padrão recomendada para ajudar pessoas a deixarem de fumar é um medicamento prescrito como o Chantix ou uma combinação de adesivos e goma de mascar de nicotina com orientação de um profissional treinado. Mas, mesmo na Inglaterra, onde essas opções são amplamente anunciadas e quase gratuitas, a maioria dos fumantes recorre à força de vontade ou produtos de nicotina comprados livremente no comércio, e os índices de sucesso são baixos. O estudo apontou que a taxa com que os fumantes abandonaram o hábito usando cigarros eletrônicos foi semelhante ao de pessoas que usaram terapia de reposição de nicotina mais uma breve orientação.Stanton A. Glantz, um professor de medicina da Universidade da Califórnia, em San Francisco, disse que a limitação do estudo foi por ter tentado medir o efeito do uso do cigarro eletrônico apenas entre fumantes que estavam tentando deixar de fumar, não entre todos fumantes.West respondeu que a meta do estudo era descobrir se os cigarros eletrônicos ajudavam as pessoas que estavam querendo deixar de fumar. Mas ele disse que os dados que ainda estão sendo analisados podem fornecer pistas de efeitos mais amplos sobre os fumantes em geral.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Manuseio de cigarro eletrônico requer cuidados; usuários relatam explosões

Flávio Carneiro
Do UOL, em São Paulo
O cigarro eletrônico é uma alternativa ao produto comum. Para funcionar, possui uma bateria (que geralmente é de lítio), um compartimento com a essência e uma resistência para transformar esse conteúdo em vapor. Ele é proibido no Brasil e, no exterior, há relatos de incêndios causados principalmente quando os usuários dão carga no acessório.
Acima, um cigarro eletrônico desmontado. Sua estrutura é composta por bateria, compartimento para essência e resistência (que gera o vapor)Acima, um cigarro eletrônico desmontado. Sua estrutura é composta por bateria, compartimento para essência e resistência (que gera o vapor)Apesar de outros gadgets também possuírem bateria, o cigarro eletrônico tem uma particularidade: sua estrutura geralmente é frágil e pode ser danificada facilmente. Além disso, seu uso é muito próximo ao rosto, tornando uma possível explosão mais perigosa. Por isso, o manuseio precisa de cuidados específicos.
Segundo João Carlos Lopes Fernandes, professor de equipamentos eletrônicos do Instituto Mauá de Tecnologia, o cigarro eletrônico é mais vulnerável a todo tipo de danos do que os celulares, por exemplo.
"O celular é mais bem revestido do que um cigarro eletrônico e isso protege sua bateria de amassados, por exemplo. Já no gadget para fumar há apenas uma capinha de plástico, geralmente fina e frágil. Isso deixa o equipamento suscetível a danos, que podem causar vazamento ou curtos", explicou.

Dicas para usuários do cigarro eletrônico
  • Não deixe o dispositivo carregando sozinho 
  • Evite utilizar os carregadores que são de outros produtos, pois a voltagem pode ser mais alta e danificar o cigarro eletrônico 
  • Transporte o cigarro dentro de um estojo seguro, para não danificá-lo 
  • Evite deixar o produto em ambientes quentes, como um carro fechado 
  • Não utilize o aparelho se ele estiver "inchado" 

Nos últimos meses, diversas explosões foram relatadas no exterior. A britânica Kim Taylor afirmou que seu carro foi incendiado pelo gadget. Já em outro caso, uma mulher culpou o produto por um incêndio em seu apartamento. Em um terceiro acidente, a usuária teria sofrido queimaduras na perna depois de o acessório explodir
Quando essas situações acontecem, o motivo é geralmente o uso de um carregador diferente - e não aquele que acompanha o produto. Esse intercâmbio de acessórios é perigoso, segundo o professor Fernandes. "Não se pode carregar eletrônicos em acessórios diferentes só porque eles têm a mesma entrada. Os produtos têm voltagens distintas. Um carregador muito forte pode sobrecarregar uma bateria fraca, causando a explosão", explicou.
 Compre aqui!Outras questões precisam ser levadas em conta para evitar possível incêndio. Climas muito quentes e tempo demais na tomada (como durante toda a noite) podem colaborar para que haja problemas com o gadget, segundo o professor.
Fabricantes estrangeiras como a Eversmoke, a Blu e V2 dão dicas parecidas para os usuários: nunca deixar o produto carregando sozinho, não carregá-lo em ambientes quentes, como um carro fechado, manter o gadget seguro em um estojo e não utilizar o acessório se ele estiver com algum "inchaço".
Em 2009, os cigarros eletrônicos foram proibidos no Brasil por questões ligadas à saúde. Dessa forma, os produtos que são comercializados extraoficialmente por aqui não passam por nenhuma regulamentação - tornando seu uso ainda mais perigoso. Não há garantias da procedência ou qualidade, tanto da essência para o fumo quanto das partes elétricas.





O CIGARRO ELETRÔNICO

Drauzio Varella

Inalar a fumaça liberada na combustão do cigarro é o mais mortal dos comportamentos de risco no Brasil.
Não é de hoje que os fabricantes procuram uma forma de administrar nicotina, sem causar os malefícios da queima do fumo nem tirar o prazer que o dependente sente ao fumar. E, acima de tudo, sem abrir mão do lucro obtido com a droga que provoca a mais escravizadora das dependências químicas conhecidas pela medicina.
Com essa finalidade, foram lançados no comércio os cigarros eletrônicos, uma coleção heterogênea de dispositivos movidos a bateria que vaporizam nicotina, para ser fumada num tubo que imita o cigarro.
Em menos de dez anos, as vendas na Europa atingiram 650 milhões de dólares e 1,7 bilhão nos Estados Unidos. O sucesso tem sido tão grande, que alguns especialistas ousam predizer que o cigarro convencional estaria com os dias contados.
Na literatura médica, entretanto, as opiniões são divergentes.
1) Os detratores
A demonstração de que fumantes passivos correm mais risco de morrer por ataque cardíaco, derrame cerebral, câncer e doenças respiratórias, deu origem à legislação que proibiu o fumo em lugares fechados, providência que beneficiou fumantes e abstêmios.
Especialistas temem que esse esforço da sociedade seja perdido, quando os cigarros eletrônicos forem anunciados em larga escala pelos meios de comunicação.
Comerciais exibidos recentemente nas TVs americanas justificam a preocupação: “Finalmente, os fumantes têm uma alternativa real” ou “Somos todos adultos, aqui. É tempo de tomarmos nossa liberdade de volta”. Mensagens como essas não seduzirão as crianças, como aconteceu com as campanhas de cigarros anos atrás?
Os Centers for Diseases Control, nos Estados Unidos, revelaram que embora o consumo de cigarros comuns entre adolescentes americanos tenha caído, entre 2011 e 2012, o de eletrônicos duplicou.
Não existe padronização na quantidade de nicotina vaporizada pelas diferentes marcas de eletrônicos; nem controle de qualidade. Os testes mostram que alguns conseguem liberar o dobro ou o triplo de nicotina, em cada tragada.
Ainda não há comprovação científica de que o cigarro eletrônico substitua os convencionais. O uso concomitante pode levar ao consumo de doses exageradas de nicotina, eventualmente próximas de limites perigosos.

2) Os defensores
Consideram que o cigarro eletrônico se enquadra nas chamadas estratégias de redução de riscos, semelhantes às de distribuição de seringas para usuários de drogas injetáveis, adotadas como medida de prevenção à Aids.
Há quem acredite que, ao lado de outras formas de administrar nicotina sem utilizar combustão (chicletes, pastilhas e adesivos), os dispositivos eletrônicos têm potencial para se tornar um dos maiores avanços na história da saúde pública.
Para eles, o vapor de nicotina inalado através do cigarro eletrônico mimetiza as experiências prévias do fumante, sem deixar de estigmatizar o cigarro comum.
Lembram que no mundo ocorrem seis milhões de óbitos por ano, por causa do fumo, e que as previsões para o século 21 não poderiam ser mais sombrias: um bilhão de mortes, predominantemente entre os mais pobres e menos instruídos.
Defendem que a estratégia de reduzir, mesmo sem eliminar, o risco de morte associado ao cigarro, é um imperativo moral.
Difícil não reconhecer que os dois lados apresentam argumentos consistentes.
Minha opinião é de que os cigarros eletrônicos devem obedecer a leis que os obriguem a passar por controle de qualidade, que proíbam fumá-los em bares, restaurantes, escritórios e outros espaços públicos fechados, e que vedem a publicidade pelos meios de comunicação de massa.
Seria fundamental, ainda, proibir que os fabricantes adicionassem mentol, essências de morango, baunilha ou chocolate, para torná-los mais palatáveis às crianças, prática criminosa que a Anvisa não consegue impedir que a indústria do fumo continue utilizando no cigarro comum.
Na falta de melhor alternativa, o cigarro eletrônico pode ser uma forma menos maligna de lidar com a dependência de nicotina. Mas, é preciso criar com urgência uma legislação para lidar com ele.

Fontehttp://drauziovarella.com.br/dependencia-quimica/o-cigarro-eletronico/


    Grupo pede que OMS aprove cigarro eletrônico na luta contra o fumo

    Especialistas em tabaco e câncer recomendaram artefato 'tecnológico'.
    Eles também condenaram repressão da OMS contra esse tipo de cigarro.


    Organização Mundial de Saúde (OMS) deveria promover a substituição do cigarro comum pelo cigarro eletrônico no lugar de tentar reprimi-lo para combater o fumo, advertiu nesta semana um grupo de médicos e especialistas internacionais. 
    Segundo o grupo – formado por pesquisadores em tabaco, câncer e dependência química – a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, deveria explorar o "potencial" dos cigarros eletrônicos e dos produtos do tabaco sem combustão para combater o cigarro tradicional.
    "O potencial destes produtos (...) para reduzir o peso das doenças ligadas ao fumo é muito grande. Estes produtos podem estar entre as inovações mais importantes do século 21 em matéria de saúde", afirmam os cientistas em uma carta.
    Os signatários do documento consideram "contraproducente" proibir a publicidade dos e-cigarros e de outras alternativas de baixo risco' para substituir o cigarro tradicional.
    Ao menos 1,3 bilhão de pessoas fumam atualmente no planeta e a OMS estima que o cigarro causará neste século até 1 bilhão de mortes "prematuras e evitáveis".
    Segundo um comunicado emitido pela agência das Nações Unidas em julho de 2013, a inocuidade do cigarro eletrônico e sua eficiência no combate ao hábito do fumo não estão provadas e seu uso 'é claramente desaconselhado'.
    Vários tipos de cigarro eletrônico são vistos durante reunião em Londres (Foto: Leon Neal/AFP)Vários tipos de cigarro eletrônico são vistos durante reunião em Londres (Foto: Leon Neal/AFP)

    Empresa da Holanda lança cigarro eletrônico de maconha

    Companhia afirma produzir 10 mil 'baseados eletrônicos' por dia.
    Diretor diz que fabricação é legalizada e mira mercado terapêutico.

    Ilustração de cigarro eletrônico de maconha, comercializado pela empresa holandesa E-njoint (Foto: Reprodução/Facebook/E-njoint)
    Ilustração de cigarro eletrônico de maconha, comercializado pela empresa holandesa E-njoint (Foto: Reprodução/Facebook/E-njoint)
    A companhia holandesa E-Njoint lançou um cigarro eletrônico de maconha, com variedades de sabores e sem THC (princípio ativo da maconha), tabaco ou nicotina. Porém, o usuário pode preencher o cigarro com cannabis líquida ou ervas secas.

    A sede da empresa fica em Delft, na Holanda, mas os produtos são fabricados em Shenzhen, na China. Segundo informações do jornal “International Business Times”, por dia são feitos cerca de 10 mil “baseados eletrônicos”, distribuídos pela Europa.
    Um dos diretores da empresa, Menno Constant, disse à publicação que a fabricação dos cigarros é considerada legal e mira o mercado terapêutico.
    Segundo ele, há negociações para que o produto seja levado a outros países como opção para ser usado no tratamento com maconha medicinal.
    No site da empresa, está disponível para venda apenas um modelo do cigarro, o descartável, que custa 8,95 euros (R$ 27) a unidade.

    fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/06/empresa-da-holanda-lanca-cigarro-eletronico-de-maconha.html

    Tabagismo: como se desintoxicar?

    por Roldão Aires
    Considerado uma pandemia, o tabagismo é um mal cientificamente comprovado, que diminui as defesas do organismo deixando-o como se fosse uma porta aberta para que outros males entrem e ali também se instalem.
    Existem no mundo 66% de fumantes pertencentes ao sexo masculino, e morrem todos os anos, 5 milhões de vítimas desse mal. Junto com o tabagismo, temos alguns dos males que ele provoca como: asma, infecções, cefaléia, problemas cardio-vasculares, hipertensão, enfisema, cânceres entre outras doenças.
    Das 2.000 substâncias contidas em um cigarro, as 2 principais são: o tabaco e a nicotina, todas tóxicas e psicoativas. Quando um fumante dá uma tragada, a fumaça vai direto para os pulmões levando consigo essas substâncias e pela corrente sanguínea chega ao cérebro em 8 segundos.
    Nas mulheres, os males do fumo, além daqueles já mencionados, afetam a menstruação, baixam a fertilidade, há o crescimento dos números de abortos, câncer no colo do útero, além de muitas outras doenças. Para que o fumante largue o vício, duas coisas são primordiais: determinação e força de vontade. Após esse objetivo ser atingido, partimos para a desintoxicação do organismo.
    Aí, existem remédios alternativos e simples, tais como: suco de agrião com cenoura, suco de couve, suco de assa-peixe, pra serem tomados três vezes ao dia; também temos a variação da alimentação, por exemplo, um dia só com frutas, como abacaxi, mamão, melão, maçã. Entenda que só deve comer a fruta escolhida para o dia, não comer outra, por exemplo, começou comendo abacaxi, coma abacaxi o dia todo, no outro dia se quiser mude de fruta.
    Assim agindo, com certeza, conseguirá ter seu organismo livre desses elementos nocivos.

    Uma vida sem cigarro

    Embora não exista método infalível para ajudar os fumantes que querem fugir do hábito, estudos mostram que as melhores chances de sucesso estão na combinação de medicamentos com psicoterapia

    agosto de 2011
    © Aquir/Shutterstock
    Todos os dias milhares de fumantes se propõem abandonar sua perigosa dependência. É o caso do publicitário Bernardo S., de 42 anos, que fuma quase três maços por dia e tem risco quatro vezes maior de desenvolver câncer nos pulmões que um não fumante da mesma idade. Após várias tentativas fracassadas de deixar o hábito, ele finalmente se decide por uma desintoxicação acompanhada. Isso significa que na primeira semana deverá consumir até 10 chicletes, cada um com 4 miligramas de nicotina, e inalar diariamente 20 jatos de um spray nasal de nicotina.


    Já no segundo dia Bernardo para de fumar. Para atenuar a síndrome de abstinência, da segunda à quarta semana ele aumenta as doses de goma de mascar e de spray nasal – e ainda toma o medicamento Zyban. Com isso, reduz paulatinamente o tratamento. Após 26 anos como fumante, ele finalmente tem a dependência sob controle.


    Em geral, com o aumento da idade, aumenta a motivação para deixar a dependência – no entanto, muitas tentativas são hesitantes e fracassam rapidamente. Frequentemente, aqueles que querem parar não suportam o desconforto causado pelos sintomas de abstinência. Isso faz com que tanto especialistas quanto leigos se questionem sobre o que faz uma pessoa não apenas iniciar o processo de desintoxicação, mas também mantê-lo. Médicos e psicólogos tentam descobrir a resposta em vários estudos sobre efetividade. Foi com esse propósito que uma equipe coordenada pela médica Eva Kralikova, da Universidade Karl, em Praga, investigou em 2009 se gomas de mascar e inaladores de nicotina realmente contribuem para que o fumante reduza ou interrompa completamente o seu consumo de cigarro. Dois terços dos aproximadamente 300 participantes do estudo receberam produtos que realmente funcionavam como substitutivos da nicotina. A um terço, porém, era oferecido apenas placebo. Um sorteio determinou quem receberia cada substância. Tratava-se de um experimento denominado duplo-cego, pois tanto voluntários quanto pesquisadores não sabiam quem pertencia a qual grupo. E eram os próprios participantes que determinavam se queriam chegar à abstinência ou apenas limitar o seu consumo.

    Em duas ocasiões, após quatro meses, e passado um ano do início do estudo, Eva e seus colegas perguntaram às pessoas com que frequência haviam utilizado os produtos oferecidos e se tinham atingido seu objetivo. Os cientistas não apenas confiaram nas declarações, mas adicionalmente mediram o teor de monóxido de carbono no ar que elas expiravam, para obter também dados objetivos.
    Com a ajuda do preparado substituto, mesmo após um ano, um em cada cinco participantes que pretendiam parar de fumar se manteve abstinente. No grupo que utilizou placebos, apenas 10% conseguiram o mesmo resultado. Já entre os que queriam apenas reduzir seu consumo, os pesquisadores não encontraram diferenças significativas. Segundo esse estudo, portanto, substâncias que substituem a nicotina aumentam as perspectivas de parar de fumar, mas não de limitar o consumo de cigarros.


    Os resultados de diversas pesquisas de efetividade, porém, nem sempre apontam na mesma direção – e às vezes também se contradizem. Nesses casos, o Cochrane Tobacco Addiction Group entra em cena. Esse grupo internacional de especialistas resume inúmeros trabalhos, realizando meta-análises e fornecendo avaliações gerais. Os resultados são especialmente significativos, pois quase sempre se baseiam em grandes amostras e estudos executados com grande cuidado metodológico. Mas, afinal, o que temos hoje para oferecer a quem deseja abandonar o hábito do cigarro?
    © mack2happy/shutterstock
    1. Substitutos do cigarro
    A cada tragada em um cigarro, a pessoa inala mais de 4 mil substâncias, das quais pelo menos 30 comprovadamente causam câncer. Esses perigosos componentes surgem com a queima do tabaco, mas os fumantes são dependentes apenas da nicotina, comparativamente inócua, que lhes confere sensação agradável e relaxamento. Produtos substitutos da nicotina fornecem ao corpo a substância ativa em sua forma pura – sem a fumaça rica em elementos prejudiciais. Esses compostos, capazes de atenuar sintomas físicos da abstinência, estão em adesivos, gomas de mascar, sprays nasais e comprimidos.


    Sua dose usual de nicotina é mais baixa que a dos cigarros; além disso, o nível da substância no sangue sobe de forma imediata quando a pessoa fuma, enquanto os substitutivos têm efeito apenas depois de aproximadamente 15 minutos, em média, o que torna improvável que os fumantes desenvolvam uma dependência em relação a esses produtos. O que ocorre, aliás, é justamente o contrário: eles aumentam a possibilidade de uma desintoxicação bem-sucedida. A coordenadora Lindsay Stead, do Cochrane, e seus colegas da Universidade de Oxford examinaram 111 estudos com mais de 43 mil participantes e concluíram que produtos usados no lugar da nicotina elevam a probabilidade de uma abstinência permanente em 50% a 70%. Os diferentes métodos têm efeito semelhante. No entanto, comparados com as gomas de mascar testadas em 53 estudos isolados, os comprimidos de nicotina tiveram um resultado um pouco melhor.


    Lindsay e colegas descobriram em dois estudos indícios de que, quando a própria pessoa escolhe um determinado preparado, as chances de sucesso aumentam. Mas devido ao baixo número de participantes, o resultado ainda não é suficientemente seguro. Mesmo assim, para quem gosta de goma de mascar, esse tipo de produto provavelmente deve ajudar mais. Se para o fumante se trata mais de ter algo nas mãos ou de se distrair, então o mais recomendável é um inalador. Adesivos ou comprimidos, porém, chamam menos a atenção. Com exceção do spray nasal, é possível comprar todos os preparados substitutivos da nicotina sem receita nas farmácias.
    2. Vareniclina

    A substância ativa vareniclina bloqueia no cérebro exatamente os pontos de conexão aos quais a nicotina normalmente se liga (veja quadro na pág. 58). Dessa forma, ela ameniza os sintomas da abstinência. E se o fumante mesmo assim recorre ao cigarro, o seu efeito costumeiro não ocorre. Em 2010, pesquisadores da Universidade de Oxford examinaram mais a fundo 11 estudos de efetividade sobre esse preparado e descobriram que duas a três vezes mais dependentes de nicotina, em média, conseguiram se manter abstinentes durante pelo menos seis meses, em comparação aos que usaram placebos. Portanto, as perspectivas de sucesso são tão boas quanto as de produtos substitutos de nicotina. No entanto, ela também tem efeitos colaterais indesejáveis com mais frequência: cerca de 30% dos participantes do estudo se queixaram de náuseas, distúrbios de sono e alterações gustativas. Um outro problema: como graças aos receptores de nicotina bloqueados não há mais a pressão da dependência, os ex-fumantes frequentemente acreditam estar “curados”. Por isso, interrompem o uso do medicamento cedo demais – tendo logo uma recaída.
    © yuri arcurs/shutterstock
    Terapias complementares, como a acupuntura, podem ajudar a controlar a ansiedade
    3. Bupropiona

    Essa substância ativa, já comercializada nos Estados Unidos como antidepressivo, aumenta a presença de transmissores nas sinapses. Em fumantes abstinentes compensa, entre outras coisas, a falta de dopamina provocada pela abstinência. No entanto, conforme comprovou em 2010 uma meta-análise do médico John Highes, pesquisador da Universidade de Vermont, em Burlington, a bupropiona é menos efetiva do que a vareniclina.


    De qualquer forma, a substância parece ter efeito principalmente em pessoas com uma determinada variante genética, segundo descoberta feita já em 2007 por um grupo de pesquisadores coordenado pela farmacêutica Rachel Tyndale, da Universidade de Toronto, no Canadá. Praticamente metade dos fumantes que participou de seu estudo apresentava o fator genético CYP2B6*6. Nesses voluntários, o antidepressivo teve o efeito desejado: um em cada três continuou resistindo ao cigarro mesmo 12 meses após deixar de fumar – no grupo que usou placebos, porém, apenas 14% continuaram sem fumar.


    Já participantes com outra versão do gene, denominada CYP2B6*1, não precisavam da substância ativa. Não apenas entre aqueles que fizeram uso da bupropiona, mas também no grupo dos que usaram o placebo, um em cada três se tornou ex-fumante. Diante desse resultado, Highes e seus colegas desaconselharam um tratamento com bupropiona a esse grupo. Como o preparado inócuo teve o mesmo efeito que o medicamento, eles supõem que, nesse caso, as formas de tratamento psicológico têm maior potencial. A bupropiona pode acarretar efeitos colaterais como distúrbios de sono, náuseas, dores de cabeça ou sudorese, e uma em cada mil pessoas pode até mesmo sofrer um ataque epilético. Por isso, apenas poucos dependentes, quase sempre aqueles que fumam demais, utilizam essa substância.
    4. Vacina contra nicotina

    Estimular o sistema imunológico a formar anticorpos e reagir contra a nicotina pareceu uma boa ideia para vários cientistas. A ideia era que moléculas de defesa que circulam no sangue se ligassem à substância que causa dependência e impedissem que ela chegasse ao cérebro. Pesquisadores comprovaram que esses produtos são bem tolerados por seres humanos. No entanto, contradizendo todas as esperanças, até agora a vacinação mal reduziu a necessidade de recorrer ao cigarro. Um motivo pode ser o baixo número de anticorpos produzidos pelas substâncias estudadas até hoje. Uma equipe coordenada pelo médico Jacques Cornuz, do Hospital Universitário em Lausanne, na Suíça, descobriu em 2008 que a vacina Nicotine-Qbeta ajudava apenas pessoas cujo organismo produzia especialmente muitos anticorpos. Por isso, no momento as pesquisas se concentram no desenvolvimento de uma vacina que estimule o corpo a produzir ainda mais anticorpos, mas por enquanto não está prevista sua liberação.


    5. Força das agulhas

    A efetividade desse método de tratamento de origem oriental é incomparavelmente mais difícil de ser analisada do que a de medicamentos. É difícil, por exemplo, simular o uso do placebo. No caso de um tratamento simulado, o acupunturista também espeta o fumante que quer se desintoxicar com agulhas – mas em locais diferentes da posição oficial dos pontos. Frequentemente, porém, essa acupuntura “simulada” não tinha efeitos inferiores aos da “verdadeira”, segundo conclusão de um estudo conduzido pelo médico Adrian White e por seus colegas da Peninsula Medical School, em Plymouth, na Inglaterra. No entanto, sabe-se que as agulhas podem realmente ajudar no processo de desintoxicação da nicotina. Vários ex-fumantes relatam o sucesso do método. Um dos pontos favoráveis é que o tratamento não costuma causar nenhum efeito colateral importante e pode ser combinado com outros procedimentos.
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    Medicamentos contém princípios ativos que compensam a falta de dopamina provocada pela abstinência
    6. Hipnose

    A desintoxicação de fumantes por hipnose, tão exaltada nos anos 1960 e 1970, é vista hoje com ceticismo pelos cientistas. Em 2010, a farmacêutica Jo Barnes, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e seus colegas desaconselharam o uso desse método, após uma análise da situação das pesquisas para o Cochraine Tobacco Addiction Group, já que não há efeitos mensuráveis que possam ser registrados. Além disso, o estudo da efetividade, nesse caso, é mais difícil do que com a acupuntura, por falta de grupos de controle adequados. Mas considerando que para deixar de fumar é preciso força de vontade e empenho pessoal, a crença na efetividade do procedimento provavelmente é fundamental para a obtenção de bons resultados. Por isso, podemos dizer que se o fumante estiver bastante motivado para abandonar a dependência com esse método, ele de fato poderá ajudá-lo, apesar da situação precária das comprovações.


    7. Preparado com ervas

    Os cigarros de ervas sem nicotina são desaconselhados, já que não é a nicotina em si que prejudica a saúde, mas outros produtos resultantes da queima do cigarro. Por isso, não importa se o que é aceso é tabaco ou erva: a fumaça inalada contém substâncias tóxicas, como o monóxido de carbono. Acredita-se que os cigarros “naturais” prejudicam ainda mais a saúde, pois os fumantes, devido à falta do efeito da nicotina, tragam com mais força, inalando a fumaça ainda mais profundamente.
    8. Consumo reduzido

    Muitos fumantes têm medo de pensar em deixar de fumar de um dia para o outro. Mas a maioria dos programas antifumo recomenda justamente isso, desaconselhando a redução do consumo de cigarros passo a passo até chegar ao zero. Estudos apoiam essa recomendação pelo menos em parte: nas tentativas de desintoxicação autônomas, a redução lenta realmente não é promissora. Uma equipe de pesquisadores coordenada pelo psicólogo Ron Borland, do Cancer Council Victoria, em Carlton, na Austrália, demonstrou que as chances de uma abstinência duradoura após a interrupção abrupta do ato de fumar são quase o dobro em comparação à redução paulatina.


    Ao examinar vários estudos no ano passado, a psicóloga Nicola Lindson, da Universidade de Birmingham, e seus colegas reforçaram a ideia de que a diminuição gradual parece não funcionar tão bem quanto o abandono imediato do hábito. Segundo ela, reduzir paulatinamente o consumo de tabaco só funciona se a pessoa agir segundo um planejamento rígido e mantiver o objetivo final, a abstinência, sempre em vista. Muitos fumantes, no entanto, querem mesmo apenas diminuir o consumo. No Brasil, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que apesar de 93% dos fumantes afirmarem saber dos sérios riscos à saúde, apenas 52% pretendem largar o hábito e só 10% têm planos concretos para isso. Em um estudo do Instituto Vienense de Nicotina, publicado em 2009, demos inicialmente aos participantes a opção de escolher se queriam parar completamente com os cigarros ou apenas limitar o uso. Após cinco meses de tratamento, um terço dos participantes que no início queriam apenas reduzir também havia abandonado o hábito.
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    No passado, associação a charme e poder: é o caso do ator Humphrey Bogart, galã de cinema dos anos 40 e 50

    9. Modificação comportamental

    Força de vontade é condição fundamental para o abandono de qualquer tipo de dependência. Por isso, as iniciativas que usam a terapia comportamental avaliam primeiro a motivação. Com o acompanhamento de um psicólogo, o fumante analisa as razões pelas quais quer reduzir ou abandonar o uso de tabaco. Essa investigação torna mais clara a motivação. No passo seguinte, a pessoa começa seu grande desafio: aprender a controlar a necessidade do cigarro. Para tanto, primeiro se conscientiza de como o seu consumo está associado ao ambiente, a seus pensamentos e sentimentos e anota diariamente quando, onde, com que frequência fumou. Deve perguntar-se: “Por que exatamente nesse momento?”; “Como estou antes, durante e depois de fumar?”.


    Quando outras pessoas do convívio domiciliar fumam, o risco de recaída é maior. O ideal seria que todos decidissem parar juntos. Caso isso não seja possível, aqueles que continuam fumando devem fazê-lo ao ar livre e não deixar maços de cigarro ou cinzeiros à vista, pois assim atrapalham o autocontrole daquele que quer parar. Além disso, para substituir os costumeiros movimentos e sensações do ato de fumar, é importante determinar o “tipo de fumante”. Se para aquele indivíduo é importante manter o cigarro na mão, uma bola maleável e um cubo mágico podem ajudar. Se a pessoa sente falta do cigarro na boca, chicletes e balas são úteis.
    Estudo realizado em 2010 por uma equipe coordenada pelo psicólogo Peter Hendricks, da Universidade da Califórnia em São Francisco, mostrou que a expectativa elevada é um fator decisivo para a eficácia do tratamento. Nesse sentido, a psicoterapia fortalece a confiança na própria capacidade de se manter abstinente, contribuindo mais para o abandono do fumo que os efeitos de medicamentos e produtos substitutos da nicotina. Pesquisadores do Cochrane concluíram, após a análise de 13 estudos, que a terapia em grupo ajuda a alcançar melhores resultados que a iniciativa autônoma, sem ajuda psicológica – mas não supera a eficácia dos tratamentos individuais.
    PEQUENAS TENTAÇÕES

    Em nosso trabalho no Instituto Vienense de Nicotina, atendemos 4.500 pacientes durante a desintoxicação nos últimos anos. Os métodos utilizados por Bernardo S. não ajudam a todos, já que foram individualmente adequados a ele. O maior problema de todos os meios e métodos está na expectativa dos afetados, frequentemente baixa, e na postura passiva: muitos fumantes ainda acreditam que os procedimentos devem “funcionar” mesmo que eles mesmos não estejam tão convencidos de que querem se desintoxicar. Outro problema: pessoas que acabaram de parar de fumar supõem, logo depois do primeiro sucesso, que podem abandonar os meios que as auxiliaram, deixando de utilizá-los cedo demais – mesmo quando ainda estão sendo acompanhadas por psicólogos.


    Obviamente, tratamentos nos quais o paciente participa ativamente e está motivado tendem mais a atingir seus objetivos. Uma combinação de diversos métodos, nesse caso, não apenas é possível, mas também muito recomendável, já que essa junção aumenta a probabilidade de sucesso. Nossos dados indicam que após um programa de seis semanas, no qual nós usamos o adesivo de nicotina e psicoterapia, cerca de 80% dos participantes deixam de fumar. Metade deles, porém, retoma o hábito depois de um ou dois anos. Os que mais recaem são os que têm fumantes à sua volta, ou até mesmo moram com um parceiro que fuma. Cerca de 40% dos participantes, porém, realmente deixam o cigarro, mesmo depois de um ano após o término do programa. E alguns poucos nem mesmo pensam mais nisso! Bernardo S. muitas vezes passa dias sem sentir vontade de fumar. Quando está mais tenso, bebe uma dose de uísque ou uma xícara de café; porém, a vontade de fumar retorna. Então ele saboreia uma bala de hortelã, respira profundamente ou dá um passeio. E segue em frente – sem cigarro.
    Fumaça no Brasil

    Mais de 24 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais fumam derivados de tabaco. É o que mostram os resultados da Pesquisa Especial de Tabagismo (Petab) feita em 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde e com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Os resultados mostraram que entre os que fumavam diariamente a média é de 15 a 24 cigarros em 24 horas – o que, para um casal de fumantes, representa cerca de R$ 1.495,20 por ano, valor equivalente ao de uma TV LCD de 32 polegadas. As maiores porcentagens foram observadas entre os homens, na região Sul, moradores de áreas rurais e entre os que têm menor escolaridade e renda.


    Por serem os mais vulneráveis às propagandas e os que menos procuram ajuda para abandonar a dependência, os jovens estão no foco das indústrias de tabaco. Para conquistar esse público, elas investem em produtos coloridos, aromatizados e com sabor – podem ser encontradas versões com cheiro de chocolate e cereja, por exemplo.


    Uma pesquisa brasileira publicada este ano pela revista britânica Lancet mostra que nas duas últimas décadas o número de fumantes caiu pela metade. As mulheres, porém, estão na contramão dessa tendência: entre 2006 e 2010, a porcentagem em São Paulo passou de 15% para 17%, o que ajuda a explicar a incidência do câncer de pulmão entre elas – o segundo mais comum entre as brasileiras, atrás apenas dos tumores de mama. Apesar de ações como a Lei Antifumo, criada em 2009, e dos debates sobre a proibição de cigarros aromatizados e de qualquer tipo de propaganda do tabagismo, cigarros ainda provocam cerca de 200 mil mortes por ano.
    Quanto antes, melhor

    Um estudo britânico de longo prazo publicado recentemente no British Medical Journal analisou o consumo de cigarros de 35 mil participantes durante cinco décadas. Os resultados mostraram que fumantes morrem, em média, dez anos mais cedo do que aqueles que foram não fumantes a vida inteira. Para os que querem parar, vale a regra: quanto antes, melhor! Os pesquisadores garantem que quem abandona o cigarro por volta dos 35 anos consegue aumentar significativamente sua expectativa de vida.
    fONTE: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/uma_vida_sem_cigarro.html